Guerra Ubana – morrendo pela vida loka: conflito histórico entre instinto e civilização

Por: Agnaldo Quaresma

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“Um mal endêmico e de difícil resolução”, assim define a violência urbana o pesquisador, turismólogo, membro-fundador da Academia Ludovicense de Letras (ALL) Antonio Noberto no prefácio do livro “Guerra Urbana – morrendo pela vida loka”. A obra escrita pelo repórter policial Nelson Chagas Melo Costa, retrata exatamente esta realidade caótica ambientada dentro de uma ordem. O fenômeno do crime organizado, que sustenta as guerras urbanas, possui tentáculos pelo mundo inteiro e chegou ao Maranhão com uma força devastadora.

No livro, Nelson Melo, como assina suas matérias, discorre sobre o processo mental da “vida loka”, definida por ele como uma conduta desviante, um tipo de comportamento ilegal como diria Roy Hazelwood, um dos maiores criadores de perfis criminais do FBI. Este “fermento”, como se expressa o escritor Jack London em “O Lobo do Mar”, serve como motivação para os delinquentes, que não aceitam o Leviatã que se ergueu em uma civilização e pretendem desmoroná-lo por meio de atitudes ilícitas, como assaltos, assassinatos, tráfico de drogas, disparos em via pública e tentativas de homicídio.

O repórter Nelson analisa esse fenômeno em termos internacionais e nacionais, mas o seu foco é a região metropolitana de São Luís, que, atualmente, é preenchida pelas facções criminosas Bonde dos 40, Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Organizado do Maranhão (COM), Comando Vermelho (CV) e o adormecido Primeiro Comando do Maranhão (PCM), que se desintegrou em meados de 2016 devido a disputas por poder interno e inconformismo com a antiga liderança da organização.

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Nelson faz uma trajetória dessas facções, mostrando a dinâmica da disputa sangrenta entre Bonde dos 40 e PCM, que deixou um rastro de sangue e cápsulas no chão, em várias partes da Grande São Luís. No eixo Itaqui-Bacanga, descreve ele no livro, a guerra entre as gangues “Mensageiros do Inferno”, vinculada ao Bonde, e a “Gangue da Proab”, vinculada ao PCM, foi marcada por “baixas’ dos dois lados. O 5º Distrito Policial (DP), Anjo da Guarda, chefiado pelo delegado Walter Wanderley, prendeu criminosos dos dois grupos.

Em outra parte da cidade, no Bairro de Fátima que, na década de 1990 serviu como “sede” da gangue Garotos Geração 2000 (GG 2000), Bonde e PCM disputaram territórios, também e, cada avanço significava uma “quebrada” conquistada e, nesse sentido, pontos de venda de drogas eram montados. Na obra “Guerra Urbana – morrendo pela vida loka”, Nelson cita esta situação e mostra o cenário atual do BF que agora vivencia a rivalidade entre Bonde e CV.

O repórter busca auxílio em áreas como Antropologia, Psicanálise, Mitologia, Criminologia e Literatura para tentar compreender o fenômeno da “vida loka” e as guerras urbanas. Esse conhecimento assimilado pelo jornalista, juntamente com sua experiência na apuração dos fatos (cobrindo assassinatos, prisões, apreensões de drogas, motins no Complexo Penitenciário de Pedrinhas) resultou em uma obra que, segundo os objetivos do autor, deverá servir para a ampliação do debate acadêmico acerca do assunto que ainda é considerado obscuro.

O grupo de estudos Carcarás – Juventude Conservadora da UFMA, abraçou a proposta do livro e apoiou o seu lançamento, que aconteceu na noite de sexta-feira (31) no Auditório Setorial do Centro de Ciências Humanas (CCH) na referida instituição acadêmica, Campus do Bacanga em São Luís.

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 Palestra de lançamento do livro Guerra Urbana – Morrendo pela Vida Loka, no CCH
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            Nelson Melo (à esquerda) e o presidente do grupo carcarás, Michael Amorim. 

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