Os conservadores do Maranhão ante o canto da sereia

Por Adonay Ramos Moreira.

20160409_103523“Enquanto os Carcarás discutiam a alta cultura brasileira, a esquerda da UFMA fazia uma festinha bárbara regada a álcool e drogas, que terminou em assassinato de um jovem estudante — um símbolo perfeito do conflito cultural brasileiro de hoje” – Olavo de Carvalho

Esse estado de coisas não mostra, senão, a que ponto chegou a decadência intelectual da universidade brasileira, que cultiva a ignorância e a barbárie, e despreza, com a maior alegria do mundo, o conhecimento e a alta cultura. O meio acadêmico brasileiro, em sua maioria predominante de relativismo, que é hoje um dos deuses de nosso tempo, não tem como consequência outra coisa a não ser a total destruição da própria cultura humana. Enquanto isso acontece, a chamada “classe intelectual brasileira” permanece em um mutismo que assombraria até mesmo o mais frio dos homens. E, em grande parte, é essa mesma classe de pretensos intelectuais que inflama o peito e o cérebro vazios de seus adoradores. Como cegos guiando cegos, esses indivíduos apelam para o que há de mais rasteiro em seus próprios leitores e admiradores, fazendo-os trazer à tona não a humanidade que há na alma de cada um, mas sim os seus instintos mais baixos. Esse canto de sereia há muito vem seduzindo e alienando as mentes brasileiras, os arrotos de vaidade surgem ao menor sinal de uma busca sincera pelo conhecimento e durante o I Encontro da Juventude Conservadora da UFMA não foi diferente.

Em ambientes assim, nos quais a discussão e a inteligência cedem gratuita e prazerosamente espaço à estupidez e ao terror, é preciso que meditemos de forma séria e profunda acerca do destino de nosso país e de nosso tempo, avaliando de forma objetiva a realidade em que vivemos. Esse exame urgente, cujas descobertas de antemão não são nada consoladoras, foi um dos propósitos do I Encontro da Juventude Conservadora da UFMA, o que prova que o Nordeste (e em particular o Maranhão) segue firme em seu ceticismo ante toda sorte de pensamentos vazios que assolam nosso país.

O Maranhão, cuja contribuição à cultura brasileira é inegável, continua generosamente ofertando à civilização brasileira os elementos que permitirão fazê-la retornar àquilo que um dia ela foi. Se agora o diagnóstico da situação decadente em que vivemos nos faz parecer aquela desgraçada Francesca de Rímini que Dante encontra no Inferno lamentando que nada é mais terrível do que lembrar na desgraça os dias felizes, ao menos a lembrança desses dias felizes (que para nós consiste em não esquecer nossos clássicos) permitirá ao Maranhão e ao Brasil não esquecer a sua própria identidade, a qual está acima de todo modismo e todo regionalismo e se apresenta de forma real nas obras de seus maiores mestres, tais como Machado de Assis, Gilberto Freyre, Mário Ferreira dos Santos e Miguel Reale. E assim, com a posse de sua verdadeira face, o Brasil conseguirá retornar ao caminho do qual saiu, que é o caminho da genuína experiência intelectual e artística, experiência essa da qual tanto precisamos.

O I Encontro da Juventude Conservadora da UFMA, apesar de todos os ataques, saiu ileso e vigoroso, fazendo jus ao grupo que o idealizou, cujo nome faz referência à famosa ave carcará, que voa imponente e reina até mesmo nesse deserto tropical que é o sertão. Ao contrário dos estudantes da maior e mais prestigiosa universidade do país, a USP, que contentam-se em fazer greves e se deixam levar pelo que há de pior e mais rasteiro no pensamento universal e nacional, os estudantes da UFMA dão o primeiro e fundamental passo rumo à necessária vanguarda cultural, resgatando o que há de melhor em nossa cultura e na cultura universal.

É um feito prodigioso, sobretudo porque vindo de um dos mais pobres Estados da nação. O que prova que, em se tratando de cultura, todo elitismo não é senão espiritual. E era justamente isso que Gonçalves Dias, um dos mais ilustres maranhenses de todos os tempos, já cantava em seus versos, cuja evocação aqui, porque pedagógica, é necessária: “A vida é combate,/Que os fracos abate,/Que os fortes, os bravos/Só pode exaltar”.

Obs: Na foto acima do texto, o escritor maranhense Adonay Ramos Morreira em palestra sobre literatura na livraria Paulus.

 

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Um comentário em “Os conservadores do Maranhão ante o canto da sereia”

  1. Gostei da iniciativa. Pois vivemos tempos difíceis em que não existe verdade absoluta, ou seja, querem relativizar tudo como se não existisse o certo e o errado. Só lembrando que o maior dos livros não apoia a prostituição, as drogas e a desordem em geral. Parabens conservadores, vcs estão no caminho certo.

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