Cineasta cria documentário baseado na obra filosófica de Olavo de Carvalho

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Em entrevista, Josias Teófilo fala sobre o documentário ‘Jardim das aflições’

Uma obra do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho se tornou inspiração para o documentário Jardim das aflições, dirigido pelo cineasta e jornalista pernambucano radicado em Brasília, Josias Teófilo, e produzido também pelo gaúcho Matheus Bazzo. O longa foi gravado no estado da Virgínia (EUA), onde atualmente mora Olavo. O filme, que foi produzido por meio de financiamento coletivo (ao todo foram quase três mil doadores e arrecadação de R$ 320 mil), traz o dia a dia e as nuances filosóficas do professor. O primeiro teaser do filme, divulgado no YouTube e que apresenta na trilha sonora o arranjo da Sinfonia N. 1, de Jean Sibelius, na gravação feita por Neeme Jarvi e a Orquestra Sinfônica de Gotherburg, teve mais de 100 mil visualizações.

Segundo Josias Teófilo, a intenção do documentário, que será lançado oficialmente em janeiro de 2017, é captar a atmosfera do trabalho intelectual de Olavo, bem como o convívio familiar e o pensamento filosófico exposto pelo escritor em momentos distintos de sua rotina, ressaltando principalmente, a maneira como ele incorpora a dualidade entre a vida cotidiana e a transcendência filosófica. “Olavo não é uma pessoa partidária. Ele não é nem de direita, nem de esquerda, muito menos conservador. Ele está acima disso, é um filósofo. Nem meu filme é de direita. Se você tentar fazer uma obra de arte partidária, você fará uma obra de arte retórica, e se é retórica não é arte”, afirma o cineasta.

O filme apresenta pensamentos expostos no livro de Olavo de Carvalho e ainda uma entrevista com o filósofo conduzida pelo jornalista Wagner Carelli. Na obra que inspirou a produção, Olavo de Carvalho mostra como a história do Ocidente é marcada pela ideia de império e de suas sucessivas tentativas de reestruturação, e mesmo transvestidas com exterioridades distintas, o objetivo é sempre o mesmo — de ampliar os domínios do império até os limites do mundo visível. Os pensamentos de Olavo consistem na necessidade latente de avaliar até que ponto essas questões estão articuladas com o cenário político e social do mundo atual.

Josias, que estuda as obras de Olavo de Carvalho desde 2009, ressalta que para o autor, existe um vínculo indissolúvel entre a objetividade do conhecimento e a autonomia da consciência individual. Que em suas obras e ensinamentos, o filósofo mostra como este vínculo se perde a partir do momento em que o critério de validade do saber é reduzido a um formulário impessoal e uniforme para uso da classe acadêmica.

Apoiado na teoria de que o mais sólido abrigo da consciência individual age contra a alienação e a transformação de conceitos se que encontram nas antigas tradições espirituais, como taoismo, judaísmo, cristianismo, islamismo, Olavo de Carvalho aponta uma nova interpretação aos símbolos e ritos dessas tradições a partir de matrizes de uma estratégia filosófica e científica para a resolução de problemas da cultura atual.

Olavo de Carvalho

O jornalista, filósofo, professor e autor é tido por muitos como ícone intelectual entre os pensadores brasileiros. Conhecido também por defender a interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva, Olavo de Carvalho que nasceu em Campinas (SP), em 1947, divide opiniões quando se trata de questões políticas, justamente por ser conhecido também como articulista de direita do país.

Duas perguntas // Josias Teófilo

Quais dificuldades você enfrentou no meio cinematográfico brasileiro para gravar o documentário?
Muitas. Desde o início da produção algumas pessoas nos atacaram por meio das redes sociais. Fábio Leal, que faz parte do meio cinematográfico em Pernambuco, escreveu em seu perfil que “um filme sobre Olavo de Carvalho nem deveria existir”. O ex-secretário de Cultura da Prefeitura do Recife Renato Lins brincou com o filme dizendo que a obra seria uma comédia e teria trilha sonora de Lobão (cantor brasileiro conhecido por seu ativismo político de oposição). O cineasta Pedro Maia de Brito, tentou boicotar a obra intimidando os profissionais que trabalharam no filme. Assim que produção do documentário foi finalizada, o cineasta Daniel Aragão que foi diretor de fotografia da produção, exilou-se nos Estados Unidos, por causa da perseguição.

Como você enxerga a cultura cinematográfica brasileira?

As produções de documentários brasileiros estão focadas principalmente em questões sociais. Além disso, os documentaristas necessitam de recursos públicos, e isso abre margem para que o governo dissemine sua própria ideologia, e esse caráter retórico do cinema documentário atual, nitidamente presente em diversas produções recentes é incompatível com o filme sobre uma figura sincera como Olavo de Carvalho.

Veja o teaser 2 clicando aqui e o tease 3 clicando aqui.

Postado originalmente aqui.

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