Os gases de um coquetel de ignorância (resposta ao CAFIL – UFMA)

Por Michael Amorim

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Amigos e amigas do C.A. de Filosofia Aletheia, longe de querer imprimir um tom cada vez mais hostil a esse momento ímpar na Ufma, modéstia à parte: desencadeado por um evento que nós criamos com o propósito de discutir ideias, não empalar pessoas, é que gostaríamos de esclarecer algumas coisas. Leiam e releiam sem moderação:

  • Lendo esta nota de esclarecimento de vocês, em que declaram ‘total repúdio aos atos provindos deste grupo’ pois, em suas palavras, ‘não representam, em nenhum aspecto, qualquer perspectiva de filosofia, pois, em vez de se fundamentar em qualquer argumento racional, seja ele qual for, prefere se sustentar tendo como base o discurso de ódio’, cabe a pergunta: que diabos de ‘hate speech’ vocês encontraram nas pautas ou na programação de nosso evento que, dentre outras coisas, vai focar em John Milton, Guimarães Rosa, economia, cultura, literatura, gênero (sim, por que isso não pode ser respeitosamente discutido)? Que espécie de pitonisas e oráculos vocês possuem para antecipar, desde antes, o que ainda nem mesmo aconteceu? Plutarco, que serviu de sacerdote em Delfos, costumava dizer que as previsões do oráculo se deviam aos gases que saiam das fendas, do solo ou mesmo da fonte que corria sob o templo. Metano, etano e etileno, que em pequenas doses liberam um transe hipnótico, eram os motivos das previsões oraculares, entretanto, que gases ou flatus vocis vocês liberam para antever o que nossos convidados dirão? É, amiguinho(a)s, o velho poeta W.H.Auden estava certo ao dizer que os homens são complacentes com seus próprios gases. Mas tudo bem, a catarse mais homérica da nossa triste geração é um arroto, uma cusparada ou um peido;
  • Como corolário da previsão oracular, porém gasosa, segue a seguinte admoestação: “Qualquer encontro acadêmico, pelo contrário, deve procurar sua legitimidade no próprio pensamento racional que desprovido de injúrias, difamações, ou atos de intolerância, sustenta-se pela sua própria autenticidade argumentativa e “racional”. Sim, por motivos inesperadamente oraculares, vocês acertaram: a legitimidade de nosso I Encontro não decorre da injúria, difamação ou intolerância, algo que vocês nos imputam e que só é verdadeiro se for possível de prova material ou prova profética, pois o evento nem mesmo aconteceu. Meus amigos e amigas, caso nós estivéssemos propagandeando isso aqui abaixo pelos corredores da Ufma, sim, ai tudo faria sentido e então seríamos injuriosos, difamantes e intolerantes: “os desvios homossexuais representam uma patologia anti-social, não admitindo de forma alguma suas manifestações, nem sua propagação, estabelecendo como medidas  preventivas o afastamento de reconhecidos homossexuais artistas e intelectuais do convívio com a juventude, impedindo gays, lésbicas e travestis de representarem artisticamente Cuba em festivais no exterior. (…) pois são depravados reincidentes e elementos anti-sociais incorrigíveis”. (Resolução do Primeiro Congresso Nacional de Educação e Cultura de Cuba, 1971).
  • Seríamos repudiáveis, caso aceitássemos isso aqui com um sorrisinho no rosto, mas quantos de vocês não usam a camisa do ‘El Chancho’ Che Guevara. Se assim for, vocês também são cúmplices dessa notícia aqui e por isso são igualmente repudiáveis: “Em 1959 ao tomar o poder em Cuba, Fidel declarou que ‘um homossexual não pode ser  um revolucionário’. Em 1965 Fidel e Che Guevara criam as  Unidades Militares de Ajuda à Produção, acampamentos de trabalho agrícola em regime militar, com cercas de 4 metros de arame farpado, onde os homossexuais e outros “marginais” realizavam trabalho forçado nos canaviais, com até 16 horas de trabalho forçado, em condições desumanas  muito semelhantes aos campos de concentração nazistas. Inúmeros artistas e escritores homossexuais foram perseguidos nesta ocasião: Virgílio Piñera, Lezama Lima, Gallagas, Anton Arrulat, Ana Maria Simo, inclusive o poeta norte-americano Alien Ginsberg, expulso por ter divulgado que era rumor permanente em Cuba e no exterior, que o irmão de Fidel, Raul Castro, era homossexual enrustido.” Caso aceitem a verdade sobre os fatos leiam o restante da matéria proveniente do grupo Gay da Bahia: (http://www.ggb.org.br/cuba_livre.html)
  • Nós da Juventude Carcarás não nos eximimos do diálogo e do debate, mas recusamos as mentiras e inverdades que, quase sempre, são propagadas por idiotas úteis, analfabetos funcionais e analfabetos doutorais. O que deve ser denunciado com o devido repúdio é o descompromisso, a arrogância, a vaidade e o autoritarismo de alguns professores que, na expectativa de varrer a poeira do Conservadorismo da Universidade, mostram o conservadorismo dos homens comuns; aqueles que espancam mulheres, apedrejam homossexuais e cospem na outra face de quem os confrontar.
  • Como também apoiamos a manifestação pública de forma decente, tolerante e dialética, segue um conselho para os nossos amigos e inimigos (aqueles que querem mudar o mundo depois de amanhã), recolhido do epitáfio do arquiteto Chistopher Wren: “Si monumentum requiris, circumspice” (‘Se procuras um monumento, olha em volta de ti’). Melhor dizendo: se procuras mudar o mundo, tira primeiramente a trave dos teus olhos, e olha as ruínas que hão dentro de ti.

 

Respeitosamente,

Grupo Carcarás.

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