A Bíblia e os direitos humanos

Por Francisco Bezerra

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O Sermão da Montanha de Jesus Cristo foi certamente um pilar para a construção de um novo sentido de humanidade na civilização ocidental como a conhecemos. No final do século IV, Santo Agostinho, em suas reflexões sobre o sermão, destacou que as palavras de Jesus trouxeram ao homem um novo patamar da ética, um novo padrão de normas elevadas, alicerçadas na pureza de coração de quem busca a perfeição da santidade cristã. A partir desse novo conjunto preceitos universais de relações entre pessoas, firmou-se os fundamentos do que hoje nós conhecemos como direitos humanos.

São frequentes tentativas de se ocultar a influência da Igreja na formação do conceito moderno de humanidade. Porém, é inegável sua fundamental importância para a universalização de preceitos morais e éticos, antes praticamente inexistentes. Na Antiguidade, as relações entre pessoas e povos baseavam-se na força. A vingança, a pena capital, a desapropriação eram práticas recorrentes de aplicação da justiça. Até mesmo a escravidão era justificada por lei sob inúmeros pretextos.

 Porém, a partir de Cristo, a humanidade ganhou um novo rumo, não mais baseado em leis, mas no senso de justiça do próprio Deus. Foi sobre o solo da Igreja que se semeou o conceito de universalidade da dignidade da pessoa humana. Os escritos apostólicos do primeiro século presentes na Bíblia celebram de forma categórica a indistinção entre povos, entre homens e mulheres, tornando todos um só em Cristo.

 É também na Bíblia que estão presentes os fundamentos para que, posteriormente, a Igreja viesse a ser a instituição que mais lutou contra a escravidão no mundo, apesar das inúmeras acusações infundadas dizerem o contrário. Na carta a Filemon, o apóstolo Paulo o pede para que receba seu escravo fugido Onésimo com dignidade e o trate como um irmão em Cristo, sugerindo sua libertação. Posteriormente, desde o século XV, são incontáveis os documentos oficiais da Igreja sugerindo aos governantes que não aceitassem mais a escravidão de qualquer povo.

 Foi a partir desses preceitos que a Declaração Universal de Direitos Humanos, celebrada em 1948, firmou uma espécie de ética universal cristã sem Cristo. De modo similar a declaração de 1789. Em todos os seus artigos, de uma forma ou de outra, manifesta-se a necessidade de uma humanidade que trate as pessoas com mais dignidade, caridade, tolerância e respeito. Entretanto, deturpando o sentido de alguns valores universais, negligenciando aquela que foi a instituição sobre a qual se firma esses valores, não os acatando totalmente e, invariavelmente, se voltando contra a própria Igreja para defender atentados contra a vida, como aborto, eugenia, eutanásia etc.

Francisco Bezerra é jornalista, empresário e colabora para o movimento conservador no Maranhão.
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Uma consideração sobre “A Bíblia e os direitos humanos”

  1. História mal contada de mais. Não vou dar meus argumentos contra várias partes desse texto, só de uma.
    Os direitos humanos não são oriundos de ideias da igreja (nem a partir dos valores da bíblia, pois ela foi criada baseada em conceitos já existentes). A declaração dos direitos humanos só existe graças ao iluminismo, foi no século da luz que tivemos a quebra das monarquias associadas quase sempre à igreja católica. Outra coisa que só aconteceu devidos aos iluministas foi o fim do mercantilismo, dos feudos, da sociedade aristocrática, um marco é a Revolução Francesa seguida por diversas outra que fizeram surgir o modelo capitalista atual. Só uma idica pro leitores é que estudem a igreja da idade média e moderna e relação dela com as monarquias, dêem uma boa olhda no iluminismo e como foi inportante na formação da vida contemporânea.

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