A FIGURA DO MARXISMO E A SINDICALIZAÇÃO DO TRABALHO: benefícios ou prejuízos ao bem-estar do trabalhador?

Por Sthael Neves

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Algo é muito conhecido pela sociedade: o papel que os empresários ocupam nela: os benefícios que trazem com a geração de empregos, a riqueza que produzem a partir da fabricação e comercialização dos bens e serviços mais essenciais aos menos consideráveis e a manutenção dos serviços públicos através do pagamento de impostos. São muitos os benefícios trazidos pelo empresariado à sociedade, isso é inquestionável.

Mesmo com os benefícios trazidos pelo exercício empresarial, desde o século XVIII, alguns escritores visam à derrocada do exercício de empresa. Entre diversas correntes desse pensamento, encontra-se a teoria econômica marxista, que busca deturpar a figura dos empreendedores, colocando-os como exploradores do fator de produção trabalho. No processo da socialização dos fatores de produção essenciais à produção econômica, etapa elementar ao comunismo dos fatores produtivos – terra, capital, trabalho e, para autores contemporâneos, a tecnologia – idealizado por Karl Marx, tem-se a figura dos sindicatos. O que é isso afinal?

O sindicalismo segundo a visão socialista e o mal que produz

Sindicatos são grupos organizados para defender interesses coletivos da classe trabalhadora na cidade, no campo, nos órgãos públicos e nos setores privados. De acordo com os próprios líderes sindicais, os primeiros sindicatos nasceram da necessidade de seguridade contra o desemprego assombroso e para proteger os operários das indústrias contra as altas taxas de mortalidade em decorrência das longas jornadas de trabalho em condições precárias.

Desde então, os sindicatos representam uma parcela absurda na política de muitos países, entre eles, os latino-americanos e alguns países europeus, como a França e a Grécia. Os governos desses países são submetidos constantemente ao domínio exercido pelos sindicatos. Isso pode até soar como um timbre belo para quem crê em utopias, mas, para quem observa o cotidiano dos grupos sindicais, existem problemas drásticos acerca disso: a presença de qualquer sindicato somente prejudica um possível gozo do trabalhador e de sua família, se estivessem livres desse mal social.

A utopia do capitalismo opressor

A história do surgimento dos primeiros sindicatos desmistifica a função real que eles possuem, pois uma falácia é dita quando se fala em fome, desemprego e miséria no primeiro período industrial da Inglaterra. Os próprios mentirosos nos concedem a confissão disso quando admitem a existência de grande produção de bens naquela sociedade e lucros majestosos por parte dos capitalistas, os exploradores dos fatores de produção. Não existe outra variável que motive um produtor que não seja o lucro e, para haver lucro, é indispensável haver venda. Para quem os empresários vendiam a produção quando se diz que não havia renda, pois os trabalhadores eram explorados? Como a produção teria continuidade sem haver lucro, indispensável ao exercício da empresa? E por qual razão tantas pessoas morreram de fome com uma oferta de alimentos tão grande?

Ao contrário do que é dito e ensinado, as sociedades pré-capitalistas sofriam muito mais com a fome e a mortalidade que no período da revolução industrial. A produção e a oferta de bens trouxeram possibilidade de manutenção da vida ao ser humano. Faz parte da essência do ser humano produzir e receber em troca, ninguém deseja ser coagido e viver em escravidão. Isso faz parte da essência da ação humana: é própria ao ser humano e isenta de coerção, uma vez havendo liberdade de comprar, produzir e vender pela possibilidade de escolha. E o capitalismo, embora possua problemas, é o sistema que concede possibilidade, pois tudo que é ofertado ali provém da livre iniciativa de obtenção de recompensas: os proprietários dos meios de produção, empresários ou acionistas, querem o lucro e os funcionários de uma organização aspiram aos ganhos salariais e a troca destes pelos bens necessários à satisfação das vontades deles e das famílias que eles pertencem.

Quanto ao desemprego, os sindicatos seriam responsáveis por proteger contra o desemprego, e isso é até engraçado, pois o desemprego só pode ser suavizado aumentando a produção, com demissões coletivas ou pela redução dos salários.

Nenhum gestor demitiria se pudesse aumentar a produção, pelo contrário, abriria novas vagas de emprego. As demissões coletivas são a única alternativa para equilibrar os gastos da empresa em relação ao potencial de demanda do produto no mercado, fator que, na maioria das vezes, é afetado pela intervenção governamental no mercado.

A opção válida para equilibrar os custos de produção ao equilíbrio de mercado seria a redução de salários. Com a redução da folha de pagamento nessa forma, os gastos diminuem, a produção diminui e não há a necessidade de demissões. Tudo é regulado pelas leis econômicas de oferta e de demanda (supply and demand): se a demanda por funcionários é menor, o preço dos salários deve acompanhá-la; se maior, a recíproca é a mesma.

 

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O gráfico de oferta e demanda  descreve como os preços devem comportar-se diante da disponibilidade e da procura.

 

 

 

 

Qual a razão dos sindicatos existirem?

Se os sindicatos não servem para proteger os trabalhadores do desemprego e do trabalho desumano, uma vez a liberdade de escolha capacitando-os para a própria proteção, qual é a razão da existência dos sindicatos?

Ludwig von Mises, ao esrever as seis lições, alertou para o perigo dos grupos de pressão e a influência catastrófica que eles podem exercer numa economia. Não é muita coincidência que os maiores grupos de pressão sobre governos são os sindicatos os quais, para satisfazer interesses que não são próprios aos trabalhadores, iniciam greves e paralisações, prejudicando o próprio trabalhador pelos dias parados e pela impossibilidade de manutenção do padrão de vida da família do mesmo.

A América Latina é conhecida por ser um território tomado por sindicatos. No Brasil, surgem em uma média de 250 novos sindicatos por ano, juntando-se às mais de 15.000 entidades já existentes, tomando base de um levantamento de 2013. Consequentemente, as fronteiras de possibilidades de produção do país estão minimizadas por fatores exógenos, como a corrupção e a presença de grupos de pressão, o sindicalismo, por exemplo.

A presença dos sindicatos também é justificada pela espoliação patrimonial. Nenhum socialista deseja promover seus ideais de espoliação de maneira ilegal, antes, espera comover no meio social uma justificativa para a invasão de propriedade privada e institucionalizar por meio da legislação vigente a invasão. Os sindicatos utilizam desse mecanismo observado pelo economista francês Frédéric Bastiat na obra “A Lei”: tornar a tomada de patrimônio um ato comum e legal. Você já se perguntou quem paga para os sindicatos manterem-se ativos?

Quanto mais livre de sindicatos for uma economia, mais próspera ela será.

 

Referências

MISES, Ludwig von., As Seis Lições. 7ª edição. Tradução de Maria Luiza Borges. Instituto Mises Brasil: 2009.

Bastiat, Frédéric. A Lei. – São Paulo : Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010.

RODRIGUES, Leôncio Martins. O declínio das Taxas de Sindicalização: a década de 80. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Vol. 13/Nº 36. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/rbcsoc/v13n36/36leoncio.pdf&gt;.

 

Sthael Neves é estudante de Ciências Contábeis na UFMA e adepto do pensamento liberal conservative. 

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